09/03/11

Não tens saudades de quando a cidade era nossa
e as pessoas eram pioneses ligados por elásticos
num quadro pendurado na nossa parede?
Não tens saudades de chegar a tarde a casa,
depois de um lanche prolongado
a ver o mundo passar?
Não tens saudades das minhas palavras
sempre prontas e confortantes?
Nem de me dares o braço,
de irmos menos sós por entre os medos
e de nos rirmos deles?
Não tens saudades de quando vimos o sol nascer
por cima de um cemitério?
Não tens saudades de quando eu te explicava a vida
em palavras fáceis,
ou quando compreendia as tuas histórias complicadas?
Não tens saudades das fotografias?
Não tens saudades da nossa casa?

E se tudo se perdeu,
alguma vez foi verdade?

1 comentário:

Francisco Almeida disse...

Pelo simples facto de a felicidade ser algo irracional e, quando crescemos, aprendemos a pensar e a pôr tudo sob a avaliação da racionalidade. E eu adoro aquela versão, do Moulin Rouge. Ainda bem que tu vês.*