03/03/11

Numa coisa somos tomos iguais, porque faz parte da nossa própria natureza: precisamos de comunicar para viver. Podemos ter tudo o que é biologicamente necessário à vida, mas se vivemos isolados do mundo não podemos afirmar que vivemos realmente. É sobrevivência. E eu sei que isto é uma verdade universalmente aceite e óbvia, mas o curioso é observar, na vida corrente, o quanto essa necessidade básica de comunicação se repercute no nosso comportamento. Tomamos o caminho mais longo só para irmos acompanhados, optamos por um prato menos do nosso agradado só para comermos acompanhados, chegamos atrasados ou adiantados só para chegarmos acompanhados. Assentimos com algo que não concordamos ou ficamos transtornados com constantes discórdias com alguém. Temos uma necessidade ridícula de dar a entender que estamos a fazer alguma coisa quando estamos sozinhos no meio de uma multidão. Falamos com estranhos, rimos com estranhos,  concordamos com estranhos, quando nos vemos sem ninguém. No fundo: cedemos. Cedemos para não ficarmos sozinhos, cedemos para não perdermos um fio de ligação com a humanidade, cedemos em nome da comunicação. Quando a cedência não é possível (o que resulta sempre do orgulho e nunca dos valores), fugimos, afastamo-nos, cortamos laços. E quando isso acontece deixamos de nos sentir humanos, porque os humanos precisam de comunicar.

3 comentários:

Pessoa disse...

<3

joão pestana disse...

é uma mão cheia de palavras vãs que atiramos ao ar como um bouquet de noiva. o primeiro a agarrar terá o prazer da nossa resposta.

Francisco Almeida disse...

Demorei muito tempo a perceber que não posso fazer nada para mudar isto nas pessoas. Demasiado tempo, aliás. E é esta uma das minhs teorias, também, (como bem sabes.)