05/10/10

dor de pensar.

Fernando Pessoa já o explicou antes. Começamos por pensar (e viver a pensar não é assim tão comum; a grande maioria de nós relega o pensamento para segundas prioridades e vive vivendo). Começamos por pensar em nós até descobrimos quem somos. Depois viramo-nos para os outros (e se já são poucos os que vivem pensando, menos ainda são os que vivem pensando nos outros). Aí percebemos que o mundo não tem mais nada para nos oferecer que incompreensão. Os homens são viciosos, o mundo é pobre em valores. Então, cada vez mais desiludidos com o mundo e com as pessoas, viramo-nos cada vez mais para dentro de nós. E assim nos tornamos seres solitários, fechados em nós, cada vez mais egocêntricos, cada vez mais alheados. Afastamo-nos cada vez mais dos outros homens e um dia ser-nos há difícil reconhecer-nos como humanos.

1 comentário:

Francisco Almeida disse...

Identifiquei-me tanto com isto. É o meu prato do dia, no que toca ao que penso. (Ui, e eu que me perco a desenhar o cérebro humano como uma série de loops e de conclusões viciadas...) Mas, até as pessoas que se apercebem disto o continuam a experienciar, irremediavelmente. Se houvesse maneira de dar a volta à questão...?