20/01/11

Não espreites pela porta
Entra pela janela
Como brisas do fim de tarde no início do verão.
Nós não te comemos
Não te mordemos
Não te ingerimos
Nem digerirmos,
E se te magoarmos
É porque todos magoam todos:
É o propósito da existência.
A dor é o fim último de viver
Se fosse tudo feliz
Então não havia felicidade.
E a tua mãe nunca te ensinou assim
Porque sempre te quis guardar no colo
E tu agora tens medo de entrar
Porque vês a porta fechada
E nunca te disseram que quando as portas estão fechadas
É para as abrimos.
Se elas estivessem todas abertas
Então não podíamos entrar.
E hoje fechámos-te a porta
Porque queremos que entres pela janela,
Como brisas do fim de tarde no início do verão.

2 comentários:

Francisco Almeida disse...

Puff, e com esta quebrei.

Francisco Almeida disse...

The problem is: I don't want to let go. And I won't. Outras vezes na minha vida, sim. Mas desta vez, não. E isso torna tudo duas vezes mais impossível de gerir.