10/02/11

ser só é ser velho.

Há uma velha caída no chão,
ou deitada,
que a estas horas já não importa.
Se isso é chuva ou são lágrimas
também não sei,
mas que há uma velha caída
ali ao pé da varanda,
isso eu vejo bem.
E ali está ela,
depois de anos que passaram,
ainda caída,
por trás de uma porta
que nunca mais foi aberta.
A vida agitada corre do outro lado,
e se eles gritam,
ela já não ouve,
e se o tecto cai,
ela já não sente.
Então,
depois de lhe contar os cabelos,
todos brancos,
que eram mais que cem mil dores,
eu peguei-lhe na mão,
dura e fria como pedra,
e disse-lhe,
Continua a dormir
que o teu tempo é outro, velha,
que o teu tempo já lá vai,
e tu devias ter ido com ele.

2 comentários:

annie disse...

fantástico.

Francisco Almeida disse...

Também me impressionou, it's all over the news.