10/09/09

Fugida

Dás mais um passo e não voltas,
Basta-te dar mais um passo.
E para conter o meu choro,
O meu triste pranto crasso,
Dou-me por mim a sorrir:
Tu, que nunca foste de verdade,
Estás neste momento a ir.
E tanto que sonhei com a tua ida
Que me pareceu sempre a acontecer,
Sei que nunca foste mesmo.
E agora, meu amor,
Estás de facto a desaparecer.
Mais um passo, um passo apenas,
E sinto as estrelas tão pequenas,
Sinto a lua tão distante.
Inclinas o corpo e sorris.
«Adeus», leio no teu olhar penetrante
Estas palavras que a tua boca não diz.
E por fim, dás o teu passo,
O derradeiro, o final.
Ouço os portões a abrir-se;
Ouço-te no escuro a correr.
Os teus passos são facadas,
Cortes profundos a doer.
E no teu último passo
Sinto-me, amor, a morrer.

9 de Setembro de 2009

2 comentários:

Miguel Veloso disse...

o hitler não teria dito melhor!

agora a sério, daqui a uns anos juntas estes textos todos num livro e tens um best-seller xD

btw, quando eu criar o meu blog, quero que metas ali um link para ele!

Péssima Estreia disse...

às vezes é melhor assim.

(estou sem inspiraçao hoje --)