12/09/09

O mundo e os seus horrores

Uma rua escura, apenas.
Escura não só pela ausência de luz, na sua estreita passagem sufocada por edifícios altos, degradados e enegrecidos de sujidade; escura não só pela hora tardia, em que a própria Lua parecia um astro demasiado distante para iluminar o que quer que fosse. Escura especialmente pela ausência de qualquer felicidade, de qualquer esperança, alento, calma, saciedade; escura sobretudo pela falta de Luz. Uma rua escura que continha todo o mal do mundo, multiplicado nos seus horrores.
Vi o mal nas filas de mulheres-marionetas despojadas de qualquer humanidade, que recitavam a quem passava frases feitas sobre o amor e o prazer.
Vi o mal nas crianças nuas e emagrecidas que se banhavam na lama, e jogavam com os seus brinquedos fantasma.
E encostado ao canto, numa parede, vi o mal num homem que tremia entre o consciente e o inconsciente, vi os horrores no seu olhar suplicante, na sua testa suada, na sua dependência, sua fragilidade tão clara.
Ao longe um homem embriagado bradou desesperado “é necessário acertarmos sempre para sermos bons mas basta-nos errar uma vez para sermos maus”.
Um grupo de homens armados, com um olhar assustador, avançou sobre o homem caído no canto e toda a gente desviou o olhar, tapou os ouvidos, ao som dos seus gritos agoniantes misturado com o som de gargalhadas.


E perante os horrores que desfilavam à minha frente consegui distinguir a tua voz aterradora “Limita-te olhar”, sussurrou-me a voz, “E sorri”.

31 de Julho de 2009

2 comentários:

Péssima Estreia disse...

está super fixe, a sério!

rita disse...

Jim Morrison *.*

Este texto está excelente. A escrita está muito boa e o tema é dos que mais me cativa. Adorei :]

(Fiche, vou continuar a seguir, então )