03/11/09

Quatro momentos do teu auto-perder:

Primeiro, ele toma os teus pensamentos:
Começas a vê-lo em todos os lugares,
A lembrar-te constantemente das suas feições,
A ouvir constantemente as suas palavras;
Por vezes, perdes o raciocínio
E encontras-te a vaguear nas memórias dele.

Depois, ele controla os teus movimentos:
O teu corpo impele na sua direcção,
Os teus lábios curvam-se sem os controlares,
E os teus olhos procuram constantemente os dele;
Quando ele está longe, sentes uma ausência física
E quando ele está perto, sente-lo sempre longe.

E é aí que ele passa a controlar as tuas vontades:
Passas a querê-lo sempre ao teu lado,
Independentemente do dia ou da ocasião,
Passas a querer ouvir todas as suas palavras
E todas as suas banalidades adquirem um tom especial,
Despertando em ti um sentimento específico.

Então ele controla os teus sentimentos:
Faz sentir-te no auge da felicidade,
Ou no mais profundo desespero;
Uma simples palavra sua pode mudar o teu dia,
Elevando-o ao melhor dos dias
Ou fazendo-te querer esquecê-lo para sempre.

E quando ele contra os teus pensamentos,
Os teus movimentos, as tuas vontades, os teus sentimentos,
Passa a fazer parte de ti e tu perdes um pedaço teu,
Um pedaço teu que lhe entregaste de bom grado,
Porque foi agradável desprenderes-te de ti.

E é nesse momento que ficas de tal forma dependente,
Que nunca te consegues sentir completa sem ele.
É nesse momento em que o espaço que tu ocupas,
E ocupaste sozinha em toda a tua existência,
Se torna demasiado grande para ser ocupado só por ti:
É nesse momento que deixas de te ser suficiente.

3 de Novembro de 2009

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