09/02/10

Meia-noite

Inquieta, ouvi os teus passos
Que, inexoravelmente, marcavam o fim de tudo.
Quanto falta para a meia-noite?
Não sei.
E não quero, recuso-me, nego-me a saber.
Mas a verdade é que ouço os teus passos,
Impiedosamente, a marcar o fim de tudo.

Dizem que a cada fim há um novo princípio,
Que a cada meia-noite há um novo dia,
Mas, e se eu não quiser recomeçar?
Tudo acaba. E, desta vez,
Quero que o agora seja a última coisa a acabar.
Não quero mais fins em toda a minha vida.

Mas continuo, mortificada, encostada no seu peito quente,
A contar os teus passos que se aproximam,
Quais ponteiros do relógio,
Da meia-noite.

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