12/05/10

Monstros meus

Lembras-te do dia em que enxotei os monstros
Escondidos atrás do teu armário de pau roído?
Nunca mais nada foi igual.
Os ruídos misteriosos no soalho,
À noite,
Silenciaram,
Bem como os gritos de histeria,
Os rugidos maléficos,
Os sussurrares aterradores.
Agora, tudo é silêncio,
E ouves mais os teus pensamentos.

E tem sido frequente ver-te, nestes dias,
A procurar por eles.
Abres as portas, espreitas nos cantos, varres os fundos,
Mas que é dos monstros de outrora?
Quando chove, parece que os ouves a bater na janela,
Mas quando te levantas para lhes sorrir,
É só a chuva.
E tu sabes, mas continuas a levantar-te.
E também é só o vento que bate as portadas,
As correntes de ar que empurram as portas,
Os vizinhos que batem nas paredes.

Os monstros foram-se de vez,
Conforma-te:
Vais passar a ouvir mais os teus pensamentos.

Oh, mas eu vi-os, eu vi as suas sombras,
Passaram de relance, há pouco, naquela porta,
Espreitaram, sorriram-me e sumiram-se no ar.
Oh monstros meus,
Onde estão?

3 comentários:

Li... disse...

Adorei o texto!

anna disse...

ainda bem que gostaste (:
não, aquela fotografia não é minha $:
só a do post de 10 de maio é que é.

Pedro disse...

Adorei isto, não sei se interpretei no mesmo sentido em que foi escrito, mas isso não interessa. Adorei :)