25/01/12

Há que escrevê-lo, para que não me esqueça; e há que escrevê-lo o quanto antes, porque é rápido o risco de cair no esquecimento: é desejável querermos e trabalharmos para sermos o melhor que nos é possível, e aí nos distinguirmos dos restantes que, dispondo de maior ou menor potencial, optam por quedar-se no mínimo suficiente; mas há um limite para a busca do máximo e do maior, e esse limite varia de pessoa para pessoa, sendo certo que quando o ultrapassamos repetidamente, consecutivamente, caímos no outro lado do bom, que já não é um lado bom mas um lado a evitar - aquele lado em que nos despersonalizamos (nesse sentido mesmo - em que perdemos parte da nossa qualidade de pessoas) e nos instrumentalizamos em caminho para a perfeição. Pois bem, se há que procurar o mais, há que atender à razão para procurar o equilíbrio. E é esse mesmo equilíbrio que se ergue como principal limite, para mim: se eu quero ser das melhores, também quero ser a mais feliz de entre as melhores. E a felicidade é uma barreira que não convém ultrapassar quando buscamos a perfeição. Porque se é pena que as nossas pequenas glórias vão ser todas, o mais provavelmente esquecidas, enquanto vivermos, nós próprios nunca nos iremos esquecer de cada um dos momentos em que renegámos a oportunidade de sermos felizes, em que descurámos repetidamente o bem estar e nos coisificámos em busca da perfeição. E um dia o vício da ganância é de tal ordem que desaprendemos como apreciar um bom dia de sol com uma máquina fotográfica na mão.

3 comentários:

Francisco Almeida disse...

Bem visto, e bem pensado.

bárbara disse...

Muito bonito. Bem verdade : )

bárbara disse...

Obrigada eu. :)

Há +/- 2 que conheço o teu blog. E tenho que admitir, que já houveram várias frases, fotografias, ou ideias apenas, que vi no teu blog e que me perseguiram dias a fio.
Posso também dizer que, o teu blog juntamente com outros, foram um dos motivos que me levou a experimentar escrever.

Portanto, muito obrigada, sem dúvida.