25/01/10

Eu não sou feita de pedra. Sou feita de chocolate, que derrete nas bocas quentes e endurece nos lugares frios. Não tenho dureza própria e sou fácil de moldar.

24/01/10

Já tive que chegue.
Já tive que chegue de eu a acusar-me.
Já tive que chegue do mundo a acusar-me.
E agora apetece-me acusar o mundo.
Porque não sou só eu que ajo mal,
Não sou só eu que provoco.
Já tive que chegue.
E quero ir-me embora,
Para a noite.

23/01/10

Luz branca

No meu quarto todo branco
Não há nada,
A não ser o meu corpo despido.
E às vezes sinto-me assim, nua,
Apesar do cobertor que me aconchega,
Sabes?, quando preciso de calor.
É sobretudo quando estou fria por dentro:
Por mais cobertores que me cubram,
Continuo a sentir-me nua,
Num quarto vazio todo branco.

As palavras são um caminho fácil
E tu gostas de desafios.

Então, peço-te que feches os olhos
(sem usar palavras, é claro)
E tu concedes-me o desejo.
Olho para ti: andas diferente,
E decido fechar os olhos,
Porque hoje não quero pensar.

Hoje quero-te quente,
Quero aquecer-te,
Quero-te em fogo,
Para depois me poderes aquecer.
É que às vezes sinto-me assim, nua,
Por causa do meu quarto frio.
23 de Janeiro de 2010

Sangue de céu

Pega no pedaço de espelho quebrado,
Rasga o céu azul
E mancha-o de vermelho,
Ou da cor que tu quiseres que seja o sangue.

Fecha os olhos pesados
E ouve de uma vez por todas
O que quero ver-te a ouvir.

Lembras-te de quando sonhávamos?
O céu era azul
Mas agora não faz sentido continuar azul,
Pois não?

Lembras-te de quando chorávamos?
O céu era azul
Mas agora tem-no querido de outra cor,
Não é?

Por isso pega no vidro afiado
E rasga o céu
Outrora azul
E pinta-o
Da cor que quiseres que seja o sangue.

12 de Janeiro de 2010

20/01/10

Tempestade de fogo

Tenho fogo na garganta
E dói-me a arder.
Por isso é que eu grito, sabes?
Para expulsar o fogo.
Tu gritas também,
E os teus gritos são como oxigénio:
Fazem o fogo crescer.
Então, grito mais alto.
O fogo traz-me lágrimas,
Choro descontroladamente.
Estou a afogar-me em fogo e lágrimas.
Não consigo respirar,
O ar não chega aos meus pulmões,
Sinto-me consumida,
Sufocada,
Perdida.
Depois vem o ódio.
O fogo que começou na garganta
Arde no corpo todo,
E eu odeio-me.
Odeio-me tanto por ser fraca,
Por alimentar o meu fogo
E gritar.

Esgotam-se os gritos,
E agora vês-me como eu sou:
Pequena,
Uma criança
Diminuída pelo fogo.
Os meus gritos são de apelo:
Faz o fogo apagar-se.

Sinto-me tão zonza.
Já não consigo pensar.
Sentada no chão frio
Tento agarrar a minha mente
E voltar a ser grande.

Eu não aguento mais.
Não aguento mais.

Porque é que o fogo acende logo?
Porque é que custa tanto a apagar?
O mundo das pessoas é uma bola de neve de desilusões. 
E quando perdemos as palavras, só há uma coisa a dizer:

FUCK IT.
Alice, olha para o mundo,
Vê-o:
Está quebrado,
Magoado,
Sozinho,
Enganado.
Olha para o mundo:
É o mundo dos outros,
E o que é dos outros é teu.

Vês como sangra?
Sentes a dor?
É o mundo dos outros,
E se tu podes fazê-lo melhor,
Fá-lo, Alice.
Porque o mundo dos outros,
É o teu mundo também.

E o mundo vai magoar-te,
Vai desiludir-te,
Vai abandonar-te,
E tu vais querer abandoná-lo também,
Vais querer esconder-te dele,
Mas se tu podes fazê-lo melhor,
Fá-lo, Alice.

Um dia o mundo vai curar-se,
E vai sorrir para ti.
Até lá,
Se podes fazê-lo melhor,
Fá-lo, Alice.

15/01/10

Ish! Lembras-te disto?


«Liberdade é a liberdade de dizer que dois e dois são quatro.»


Ah, onde as minhas voltinhas vão parar!

E eu achava que não estava a sentir a tua falta. Mas parece que sim.
Para onde foste? Por que caminhos te perdeste? Porque deixaste de sorrir?
Porque deixaste de partilhar?

14/01/10

Vento


Tenho vento a soprar na minha mente
Vento frio,
Daquele que fecha todos dentro de casa.

Tenho vento a soprar na minha mente,
Um vento feito de palavras,
Feito das tuas palavras.
E quando o vento sopra,
Dói-me dentro do peito.

(Há dores que só a pessoa que as causa
As pode apagar.
E qual é a justiça disso?)

Cala as tuas palavras frias,
Que sopram um vento doloroso no meu peito.
Se queres dizer algo
Diz apenas coisas com calor.

14 de Janeiro de 2010



The wind takes the leafs where he wants them to go.
His tunes enchant our world, our thoughts and leave us frozen.

The Dance, Within Temptation



13/01/10

Mas tu lá viste alguma coisa onde nunca tinham ido procurar.
São esses os melhores achados, dizem. Mas o achado foi mais meu.


And oh is it gonna be like this everytime?

12/01/10

Cama

Aqui dentro está tão bom! Está quente e escuro e silencioso. Aqui dentro não há antes nem depois, não há bom nem mau, não há dia nem noite; aqui dentro há apenas agora: uma sucessão de agoras quentes e aconchegados. Aqui dentro estou tão bem. Porque hei-de eu sair?, pôr os pés descalços no chão frio e arrepiar-me com a falta de aconchego, afastar as cortinas e semicerrar os olhos por causa da luz, abrir a porta do quarto e enfrentar um novo dia. Não. Aqui dentro está tão bom! Aqui dentro posso dormir e sonhar que estás comigo; posso fingir que o cobertor que me prende são os teus braços a segurar-me e que o calor dos lençóis é o calor da tua respiração; posso fingir que a almofada é o teu peito e que a música dos headphones é a tua voz a dizer-me palavras bonitas como dantes. Na rua, na chuva, no frio, tu voltas a desaparecer. E eu quero que tu fiques comigo. Então porque hei-de eu sair?

08/01/10

Percebi hoje porque é que não me canso de olhar para ti: és como as árvores, há sempre algo de novo para ver. nunca te conheço as feições todas, nunca irei conhecer. no entanto, não são completamente novas. há uma acolhedora familiaridade, uma beleza constante e certa. é bom. é confortável. é insaciável.

05/01/10

Ping-pong. Fio condutor. Passador. Meio.
E não quero. Não quero não.

Abraço do silêncio

O ar está espesso,
E deve ser por isso que me custa a chegar aos pulmões.
Está frio,
E deve ser por isso que me apetece o teu abraço.
Estou cansada,
E deve ser por isso que as pálpebras me pesam.
Dói-me a cabeça,
E deve ser por isso que os meus olhos estão molhados.

Quero silêncio.
Silêncio dentro de mim.
Quero esvaziar a minha mente
De todo este emaranhado de pensamentos,
Para que eu possa ser apenas a música
Presa na minha cabeça,
E os teus braços a envolver o meu corpo encolhido
E as tuas mãos a acariciar a minha face
E a tua respiração a agitar o meu cabelo.

Quero uma cama quente,
Num quarto escuro,
A minha música
E o teu abraço.
E não ter de falar.
E não ter de ouvir.

5 de Janeiro de 2010



A minha alma é uma caixa de cartão cor-de-rosa,
Encharcada pela chuva,
Encolhida pelo sol.
É uma caixa de cartão rasgada pelas mãos das crianças
E colada pelas tuas mãos.
É uma caixa de cartão pousada no chão,
Porque perdeu a prateleira,
Perdeu o lugar na gaveta,
Perdeu a tampa.

É uma caixa de cartão que foi perdendo,
Com o intuito de não se perder.

5 de Janeiro 2010
Tenho vindo a constatar, com um misto de estranheza e susto, que faço muitas coisas com o intuito de as guardar para o futuro. Tenho uma espécie de obsessão com as memórias e com o passado. É muito, muito estranho?
Quero voltar a pintar as unhas. Quero voltar a pintar as unhas. Quero voltar a pintar as unhas. Quero voltar a pintar as unhas. Quero voltar a pintar as unhas. Quero voltar a pintar as unhas. Quero voltar a pintar as unhas. Quero voltar a pintar as unhas. Quero voltar a pintar as unhas. E não entendo porque raio estou sempre a adiá-lo!

01/01/10

2009 foi bom. Muito bom, na
verdade! 2009 foi o PANOS, a
Figueira, e tu. 2010 vai ter de
trabalhar no duro para igualar 
o antecessor. Eu digo, apenas:
BOA SORTE!